quarta-feira, 6 de maio de 2015

Agora é esta atonalidade o que lhe é
eu fico a ouvi-la amiúde
há seriedade muita a este meu gesto
e se a ensaiá-lo, mas
eis os móveis a eu ver semelham-se a mim
alça e não se eleva
soltar com eles me assimilar chega
se estreita a vir a arrolar espalmando
a relação deles percorre o lugar à fronteira dum comum


    Neste quarto:
Esta mesa, neste banco,
não reflete o resto
mas tantos objetos
podiam lhe estar pelo apoio
sombreando-o

Ao meio, por não se acabarem
Através da luz
   eles se espargem
e para a quina das paredes

sou destro meio aos sombreados
eu as sinto tanto
da luminária acerca à mesa
que vai por bordas correndo as bordas
que mais a muito interno há essas transparências
de coisas na palavra
por cima de transparências

Eduardo M.P. Félix