terça-feira, 24 de março de 2015

há esta extrema superfície, parede cimentada por sombras de utensílios

tal parede está atrás da estante
atrás do armário
atrás da cadeira
que é ao meio do quarto

oscilando as xícaras brancas
lâmpadas crispam nos copos
que mexem incidindo
luzes contidas

curvo-me a cerrar meu corpo pelos lados da poltrona
à míngua contínua do meu gesto vagarosamente
gerando insinuarem-se as bordas pelas suas cores
por me achegando alhear enxergar-me
que amiudando-me à diafinidade paulatina
soslaiando a deslindarem-se

há cá uma manutenção do quarto
ela faz consistente só algumas coisas serem possibilidades
   anelando delas as vindas que enfileira
pelo fundo tempo de sempre estas se deixam inteirar
assim é a arquitetura
não se lumia quando profiro as pilastras inusitadamente
sim vai a cindir-se pelos arredores de atrás


Eduardo M.P. Félix

domingo, 22 de março de 2015

pulsam rodopios

Todos estão dormindo nesta casa
O olvido é arredondar queda por volta
de si a solidão
Cada milímetro está assim
O arvorecimento dos meus olhos
qualquer coisa congela minha criatividade
e não tocar-te é sentir o que é que és para a imensidão

Eduardo M.P. Félix