sábado, 18 de julho de 2015

do sol as sombras pairam

pelas tuas costas
meio à janela ciana
o seu rosto segue
a vinda contornada
isso sustentando-te  

pássaro plaina em
depois outro mais outros
dentre os prédios
rastreando ultrapassarem
o céu
de meia tarde e dois
ao que ao mais

pessoas
tetos
e os ares entre
de meia tarde
                       e
                  dois
as pessoas e os tetos
se se lhes alheie 

percorro pelos ônibus
para com depois destro
novas lojas de que onde
estudante não trabalho eu
enfeites em vendas para
casa – você tem uma beleza

diferente; alheia  – mas
solto os cômodos só que
dela além se se mos acolhe
paredes tantas vêm que
estas me andadas juntas
juntadas com que eu as vou
andando lhe para cada o

   além                                                  
   rumos que ladeiam as gramas
   a brisa coberta por certas pilastras abertas
   de mais          
   como quando nós caminhávamos


Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 7 de julho de 2015

pássaros 1, exercício

mesmos lindos ritmos, 
sem palavras 
para se adequar 
aos lindos ritmos

Os pássaros passam,
dentro abstração riscada a
sem issumidos sob suas alturas
aventa relvas da cidade com a que
ao logo pelos rastros folgam
lhos dissolvendo aos poucos muito

Passam os pássaros
na abstração por traços que
despontadobra à vez à frente com as janelas,
por os sob os rastros folgam a os poucos lhes se indo
se me lhos dissolve logo vem somena lentania
através ao longo dos seus voos rastreando
os pássaros e que em os

Eduardo M.P. Félix 
transparentes
O espaço recolhe
amostrando
O tempo recolhe
levando
daí tiramos
o poema
é tempo e espaço
sutilmente

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 3 de julho de 2015

isto

somente paira a linha contornada
indo onde ela prevalece
essas minúcias de contornos
que acarinham no apoucar-me

quero-te carinhos, pois
não cante, ande
devagar

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Agora é esta atonalidade o que lhe é
eu fico a ouvi-la amiúde
há seriedade muita a este meu gesto
e se a ensaiá-lo, mas
eis os móveis a eu ver semelham-se a mim
alça e não se eleva
soltar com eles me assimilar chega
se estreita a vir a arrolar espalmando
a relação deles percorre o lugar à fronteira dum comum


    Neste quarto:
Esta mesa, neste banco,
não reflete o resto
mas tantos objetos
podiam lhe estar pelo apoio
sombreando-o

Ao meio, por não se acabarem
Através da luz
   eles se espargem
e para a quina das paredes

sou destro meio aos sombreados
eu as sinto tanto
da luminária acerca à mesa
que vai por bordas correndo as bordas
que mais a muito interno há essas transparências
de coisas na palavra
por cima de transparências

Eduardo M.P. Félix

domingo, 12 de abril de 2015

no Café

louçania, o corpo em rumor

ladeando para os centros, que se deita
as mesas
mais cotidianas posteriormente aos apoios
sob grandes quantias de xícaras
como amiúde estivesse sempre esta mesma hora ao ar
e que daí perfilarem muitas xícaras nas retas ou curvas e mesmas em mesmas no espaço composto                                                                                                                          [arrastado
antes da porta aberta aguda parede plana brilha
como suspense, que entanto, é esquina se torneando na virada
          a quem torna e entra aqui

o ar compreende
cheiros fundos de café
atrás às coisas ao sol
de aventar lhes sombreia
desde a descair para o que as vou divagando
incidindo voluções na
manhã
teto do Café
contorna
esparramando mesas de azulejos

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 24 de março de 2015

há esta extrema superfície, parede cimentada por sombras de utensílios

tal parede está atrás da estante
atrás do armário
atrás da cadeira
que é ao meio do quarto

oscilando as xícaras brancas
lâmpadas crispam nos copos
que mexem incidindo
luzes contidas

curvo-me a cerrar meu corpo pelos lados da poltrona
à míngua contínua do meu gesto vagarosamente
gerando insinuarem-se as bordas pelas suas cores
por me achegando alhear enxergar-me
que amiudando-me à diafinidade paulatina
soslaiando a deslindarem-se

há cá uma manutenção do quarto
ela faz consistente só algumas coisas serem possibilidades
   anelando delas as vindas que enfileira
pelo fundo tempo de sempre estas se deixam inteirar
assim é a arquitetura
não se lumia quando profiro as pilastras inusitadamente
sim vai a cindir-se pelos arredores de atrás


Eduardo M.P. Félix

domingo, 22 de março de 2015

pulsam rodopios

Todos estão dormindo nesta casa
O olvido é arredondar queda por volta
de si a solidão
Cada milímetro está assim
O arvorecimento dos meus olhos
qualquer coisa congela minha criatividade
e não tocar-te é sentir o que é que és para a imensidão

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Prédios, também labores

As moradas
por estamentos entre escalas
as lateralidades que varam bulícios nos olhos
fronteiras arcadas das horas as vielas dos prédios são

          nublou A chuva
uma soleira ao meio da cidade
e enquanto o cimo das águas borbulhava
dentre o findo barulho ensolarado das águas
Quando as neblinas violetas sopraram
devido ao pôr do sol
A bordejar folhas de ipês às sarjetas
conduziu tudo irrisório
porém   Rareando a abismar espaços

e superficialidades ou não concomitantes tenho
essas essências do relevo alinhavado pelo suspender-me
à minha cadeira
A minha vista se aplaina pelos móveis cerrados

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Cortina de transparência isso de nós
nascermos com sentidos no corpo
e quando alguém não nos assiste ouvimos pelo extremo da cesura
esse interno idioma, luz que mostra os arredores
que fá-los diáfanos sem ter fins
contudo há em cada coisa causa,
e cada causa é transparecer-se numa dissipação
como a substância dum céu
deixa antever as estrelas posteriores
que infundem qualquer coisa

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Estar-me em muitos formado comigo
como em textura de lume qual poente relevo de feixes
por se terem desgalhado espadanando a premer
tudo que eu vejo lhe é por ele
porquanto qual os meus sentidos
são transmudar do que miro
essa virtualidade, periclitar claro para vermo-lo
impõem dos olhos.
Ser fértil, este avultar gana às formas
a terra é que mais a alteia
como defrontando-lhe senti-la
os arredores das suas coisas

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

eu ser vários

Ser conosco amontoadas solitudes
lume poendo entre constelações a alhearem-se vagando
ou feixes por se terem desgalhado espadanando a premer
porquanto qual os sentidos
São converter o que miro por eles

Deles essa virtualidade,
periclitar claro para o vermos
este avultar gana às formas, ser fértil
a terra mais isso alteia
como defrontando-lhe senti-la
os arredores das suas coisas

Eduardo M.P. Félix