terça-feira, 29 de julho de 2014

Xícara

a xícara redolente sobre papéis escritos
contidos como escalas espalmadas
três na mesa horizontal. Tríades de rascunho
cursivas montas completas alastram curvas enfileiradas
por pequenos movimentos a soslaio diante sombras
repletas das bordas brancas. Não leio
pelo fino fitar subindo ela se aclara
observo, acima do plano de madeira, a xícara
alheio contorno circular dali cortado de papéis
pelos lados do seu apoio

Eduardo M.P. Félix

sábado, 26 de julho de 2014

hoje, primaveril é o céu cristalino róseo
as chuvas danam mantos quedos contínuos pra os ombros em tons
Quedas hão relevos calmamente dentro em si
densa a água a cair à pele sem parar
a dimensiorem sensivelmente, vestem a textura dum estar-se e a tangem
rubras dores lhe tocando
que eu não sei como e por onde é que ela se inclina
Perto ou longe, aquelas gotas em formular-se sós
e dentre agora, as suas brisas lineares a aventarem
pelo asfalto molhado a tornear as cedendo e alçando irregulares

undando álgidas e vindo eu ando
a premer em mim as vestimentas têxteis e paisagens foscas
as que baças se desvelarão depois
O desvelar deste tempo também cobrirá a profundidade futura e quem sabe
o sol a descerrar estará brilhando
a esconder as coisas com as suas vistas de si em cor
e sem delinear-se-lhe nele círculo de astro
porque a sua luz se distende
como d'ouro sempre ao sol

Eduardo M.P. Félix

domingo, 13 de julho de 2014

Eu a ter felicidade em plenitude
esta extensa em luz esparsa
à parede esbarra e em descontínua
deixa-se andante em céu, empecilho dissonante
chofre então de cortes porque assim
há dores nela, ai esta que é meu corpo
e como tem almas
é então este à violência a constituir-lhe diluindo
amiúde, pois, tão-só anseio abandoná-lo
e a cama vai-se também a fluir-se evasivamente
a dele em que por ele eu nunca a tive

Eduardo M.P. Félix