terça-feira, 17 de junho de 2014

Luz, alicerce de ser imagens
e o ritmo dessas pilastras contíguas que a mim as vejo
No pátio do prédio em que se andam gente nas bancas
Vê-se alheadas as pilastras como fossem escadas horizontais
com que de meus olhos subo alinhados a um deitado alto deles
pela inclinação chã da paisagem plana
Desta arquitetura
ser o que há agora
aqui a baixo dos andares.

houvesse dela daquele descerrar do corpo o espaço
As quinas têm os seus rodeamentos sem lhes ser
como em todas as coisas
A pupila outrossim a ter tato este o move ao se mover
e o translada o que esse espaço está nos seus contornos
e porém que inda assim
eu atento a nada, pra depois desta paisagem de prédios
a persianas que me mostram
não se estar só
sim observando objetos
(que são nada da minha vida)
e é somente objetos que se me embalam
da janela norte em que eu vejo
com as precisões absolutas que tento
desta arquitetura

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 12 de junho de 2014

                   I
dia, uma gota penduleada
a mínima vaga se englobava
curvo manto simples
transluzia o rumo seu
porquanto cinde pender pois tilinta pousando
seus tremulados brilhos às pontas miúdas
desligar-se entanto de fluir-se, e depois
plácidos d'água raias a deitar esparsas
não muito. Cai
        
                  II
transudando a gota d'água descende  
pela superfície desse vértice que sou eu
que na verdade centro num círculo completo
este ser-lhe é só possível
porque desde o ver os outros sentidos
sabem no espaço depois das minhas costas e lados
e no entanto há tanto dele de eu não estar também


Eduardo M.P. Félix 

domingo, 1 de junho de 2014

Virá o amanhã
A lembrar-me eu não sabê-lo
Sem trabalhar
E não poder lidar-lhe assim
Soçobra o tédio então
Enquanto vagamente diminuta
Qual gota clara, a manhã
irá findar ao dia, embranquecidamente

Eduardo M.P. Félix