sábado, 31 de maio de 2014

pôr do sol na esplanada

O espaço ao que estrepitam a ladear ao meio
são ruas na esplanada para frente e atrás árvores
ululam alaridos ares em clarões às alvoradas
se mantêm os asfaltos alamedas na esplanada

este ocaso tênue, ligeiro outrossim
levanta sendas a aluir-lhe para cimas, a luz,
ela os pilares das imagens em suas vagas
as esparsa por feixes e as coisas rastros assim.
Há um prédio mantido. Através a se estirar-lhe dela,
por isso se parece instar leve lentamente
a desilusórios declives vermelhos diáfanos como alçando
seu bloco cinzento na longínqua praça

Estático, à vista; então sem tempos
embora lá se trabalhe.
No pôr do sol vão carros embaixo passando
dentro deles pessoas paradas
então não sei haver do derredor devir e sento
há sobreposições e há figurações parecidas entre essas horas que diferem
ao mesmo tempo, entre veículos e edifícios
dum ir e outro, e é o ângulo no que vêem os olhos
Corpo da distância derme sua as envolve tramadas.

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 27 de maio de 2014

borbrilha a bossa nova
durante as lâmpadas traquejam em frio
esmorece lã verde a pouco acalento 
a febre quase passa depois de sentir
a extensão deserta por assoalho
canta as quinas fora e adentro
eu não sei qual sensação eu na verdade sinto e não digo;

penso gélidas cerâmicas que não são. 

Eduardo M.P. Félix 
horizonte lido longe
a distância sem eu regular
pudesse sê-lo
estar lá onde o que vejo e inda vê-lo
ao tempo quanto, mesmo tempo
superpostos dois antros
está-lo e ditar-lhe a distância
que entre nós devemos
mas nada é que parece assim.

Eduardo M.P. Félix

sábado, 17 de maio de 2014

Rente céu,
aureolas aurinevadas nuvens, vagante
aos umbrais de gente andando
não sei que és-te, contudo
tampouco que a mim
há as gotículas a morrerem de si assim

lavadas as ânsias ensaiam enseadas
enchem turvas as coisas,
dum vácuo repentemente profundo,
que o delas

vestem-me sem me tratarem, tão chatas
há iminências que lhes passando dentro
calcam os átimos
nalgum carro onde algo sonora de outrora sem existência e cai

Talvez isso acontece a palavras indo
por rastros de lábios a eu desejar e finjo ou não falo.

Eduardo M.P. Félix

Na L2 Norte

Essa textura de vida que roça
e é o ar à volta
as coisas a estringir em mim no caminho
som de ocaso nos contornos dos passos
com os olhos espalma-se-as
pelo alheamento que atravessam,
fímbrias - linhas - em pontas, libadas
ao ondear leve, o que a formulação redor
o sentir minha fronte e sempre
aos limites undosa com elas indo...
   ...a alameda tão leve - e inconsciente - cansando...

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poema às vezes de vida a Brasília quando fico fatigado

Sinos de sons claros são clarins
silêncio na cidade em que resguardas motes
cá os sinos tresladam-lhe cantos a lados sem fins
rotas tresmalham seus fôlegos ao longo os cintilos no horizonte,
e conjuros se distam fulgurantes lidando luz assim
passa às linhas os teus olhos, alheadas encostas aos livros o abril
e farfalham, farfalham as pupilas com pálpebras
inda folhas nas ruas pululam
as folhas cansadas sem respaldar
eu sei o teu vento e as palavras
que rumas e as tuas são rarear
os sonhos das persianas musicam as sonharadas
                                                                                         lá lá lá lá
mas dentro o edifício me frangalham as vistas e os maios
do prédio da janela ecoam e fraquejam
frágeis estágios fronteiam fractais aos corações quais vinhais
mas tais fontes nos faltam fundos pros livros, e a lida

Voltemo-nos - não se fale -
mais caminhar por cá
mas perto, do meu peito, perto, há
- e é essa nuvem estrelejada dele até as confrarias
                                                           - que não aventem alvitres secretos -
há otimamente /onde clara repouses/ a imbrincarem-se áreas várias
um bar.

Eduardo M. P. Félix

terça-feira, 13 de maio de 2014

O som, à muda dor, carmim longa trescala
amiúde o céu
e lenta suplanta o halo de sol.
Nas flores curvas brinca arvoradas
ao pender paras plantas leves folhas

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Canto do quarto a estringir

transversal o eixo adentro a mim a flutuar distando fito
fímbria ela mingua o tronco o espéssa para foco
contínuo premer o lhe fundir sumir perpétuo,
em olhando um canto do quarto

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sermos pó quando morrermos é tão significativo
Agirmos sobre o disperso
como não fomos em vida
espalharmo-nos nas coisas
no que é seu doce espasmo
mútuo e tão lindo.

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Anna


Ela enxergava o céu: cerúlea madrugando conduzia
plácido lucilante
ou ciano mais plangente
no concerto com grandes luzes
 as guitarras bateram amainaram
 certo crepitar a chuva purpúrea esplendente
  - Enchentes a esses níveos tu cigarros enchias
suas glabras nuvens correntes escuras

.Gabriela no palco contente
.Mantém acordes como Amadeus
lhe faria florar os ares à volta as velozes suas firulas
 estatelaria Também os sons atonantes
 ... a imanar ... a imanar ...
brotos de espaço pelo corpo
poças nas gramas qual Pollock a tinta ondeando a pingar sobre...

.De repente vidrava da caixa cerveja no centro dela sendo 
abarrotara mas sorria alegremente
 claros apolíneos a ascender cultos sóis vindo;
mas...isso

.No espelho do banheiro público
de si lhe vagam os próprios reflexos, ou de casa - não.
.Como vomitava tecnicolor um Bonnard artista distante
ela deixava dinheiro ao longo dos meses
              e não se sabia!               
Ah, branco eterno sobre as volúveis cerâmicas derredor deles! 
negro fácil dos olhos que já se olharam na superfície!
    - Gabi, nunca serás minha!              
e um altar de esquecimento,
dentro, químico lhe afagava as horas!...

Confortava depois da glote, serenando estrelas! 
ouvindo tríades de Ninfas rindo
Eco,  dois nos cantos, nós
sós, com impropérios
ah, porque com'inda por amor sofreremos. 

Eduardo M.P. Félix