quinta-feira, 24 de abril de 2014

...Escada...

Eu olhando da cabeça a escada
é vários retângulos diversos menores ou maiores da aproximação
mas sem hierarquia ela toda,
em seu equilíbrio de vista

pelo descontínuo de quinas
o que a textura delas me angustia a pele

em dor nos conterem os seus degraus,
nenhuma hierarquia entre silenciosas;
   - eu ia a ascender
dadas as minhas mãos à violência de pontas que não dizia
(e tinha nisso a domínio essência do que é)
   - ela como, por visão, se movia pra mim
              eu subia-me.

Eduardo M.P. Félix
Tritongos tateiam tanto a treliça às varandas em tarde
ventam carquilhas de lençóis
tão suaves sonoros: lassos serenos à cama
que travessam laços de sonos somenos
pra onde espraiam róseas auroras aos travesseiros

A virtualidade das coisas,
os sentidos como malha translúcida
nossa em que eles se adormecem
pra ceder quaisquer percepções

Sobre mim arestas arredores dilatadas;
convexas sobre mim e voltear o sentir
E a pouca plácida algidez
indo-me a fender com as irresoluções dentro.

Eduardo M.P. Félix
Os feixes de luz, tão fronte ao ar alaranjado pouco
das lâmpadas no poste, vindos
do mais tônus da luz, assaz que eles
como a flor desabrochassem, diáfanos por reta cor

Mas deva sempre
Lembrar-se eles não serem flores
Nem parecerem-nas, na verdade,
Que for tentar então da mais doce.

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Lugar

Todas as coisas é tempo e é espaço
o humano é Arcádia
pra onde aos dois se separa
- ou não -

Não há só o pensar, às palavras,
há o feito de o corpo concreto
que o ritmo em suas abraça

Por estar pelo corpo,
o ritmo não é só tempo,
também é espaço e é lugar
ritmo, então logo da alma veloz íntimo

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 18 de abril de 2014

                    Cada palavra larga algum rumo
                    que se espalha na monta do objeto,
                    ele fica assim a se ligar às direções,
                    ladeado pra várias mas em harmonia
                    e se
                    As coisas tombadas
                    Fiéis o tempo estala
                    Seus perfis de insapiência
                    Para os fitos de se olhá-las,
                    palavras.

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ventilador
tal suma fresca e frágil
zuni-me espiralar brisas
círculo de ritmo lá
minutos em baixo dos cantos no quarto
A trincar as cerâmicas, devagar...
Alívio maquinal

Eduardo M.P. Félix

domingo, 13 de abril de 2014

Não se consegue ceder algo além de os meus pensamentos fixos
mas se eu não sei o que são fixos,
erro sobre quem sabe as truncagens num vindo o vazio
as substâncias dos meus gestos de sexo há uns vícios
amargura que dele desce flâmulas rubras dor tocando
e mais algo sem delinear os que têm às ânsias.   Evanesce
distante mas em mim, à vez à noite
como morros muito grandes como próximos
rosto ebúrneo grão, decrescem
somados por grãos das Eras
agora agulhas grãs das horas

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O dono da loja de açaí pega o cigarro queimando calmo,
isso é material porque isso existe dum gesto.
Aqui todos fenômenos materiais
As ocorrências indo correntes materiais comigo.
O não haver contornos é material donde contudo
luziluzem-se paisagens os limites da nuvem
inda que, quem sabe, não devesse
Isso fica uma lateralidade bonita às coisas,
quando elas se escondem, em parte, atrás doutra que aparece.
A luz que não vemos matéria talvez preme na distância delas.

Ou alguns outros acontecimentos.

Eduardo M. P. Félix

um lustre pra sair do quarto

luzes! suas xícaras dispersas...
eu vos bebo e nada sinto,
então eu fico?
Está geologia estranha o andar por esta gente,
como textura houvesse por contê-lo.
Vozes que são roçando;
e muitas - para se atentar.
Mas há senti-las, e o que o seja...
Claras, de tanto escuro
que é burburejar
e num indefinido nós sabemos.

Eduardo M.P. Félix.
Ah, o céu, toldo miriare de sonos,
que são eixos de algo às vezes.
E a translação desta Terra, quando se nela deita e morre...

Carros círculos, anéis de quaisquer mantidas coisas que eu não vejo ao todo
Superorganismo das insones horas, e nada de dormir...

Thanatos, também girassóis;
e tresmalhamo-nos em nós crisântemos dos dois na vida.

Eduardo M.P. Félix


domingo, 6 de abril de 2014

esparze quanto era externo o inteiro campo
a meio manavam folhas onde se possuía consciência de algo
nalgum entendimento, que seja. Nos passeios sós.
Quer-se dar-se boas frases mas é muito breve
ei-las nonada de vagar.
Céus róseos crepitantes
Cinco dedos tentam regular vagarosamente as brisas frouxas
eles remotos deste pulso longe...


Eduardo M.P. Félix