domingo, 23 de março de 2014

!Prédios, desejo, saudade, e as suas águas-furtadas:

Siderais trismegistas onde estas gáveas
entre cidade, e dos jardins as alamedas bêbadas!
nelas que murmures minha face como madeirada, meu nome, nas que te flano ave,
minha última precisa vítrea água no mundo
aos cursos que tampamos sondando a sede do olhar
recíproco quanto crepuscula-nos, me fundiria
ah, à pureza d'água que tremida pulula
se pinga pinga níveas manequins, somenos saudades
do que eu nem fizera...

Eduardo M.P. Félix
e aparecia meu pai pra me anuviar de coisas perdidas
e que nem mais importavam
pra dentro
eu sentia qualquer remorso de não ser mais
quanto a tarde me ia
os sons de cigarros e dores dos cheiros distantes, e as cores reais.

Eduardo M.P. Félix
Tocar a vida é como se falar todas as palavras
da minha língua, Todas as palavras
e acariciar entre as orelhas do gato persa está como dizer
vogal desconhecida

Eduardo M.P. Félix

domingo, 2 de março de 2014

As pupilas são gotas, que se fecham ao cair
ah, o tempo de relaxar
ir-se dos olhos a quebrar formas circunjacentes
cede outras ao longo do relance
e no soslaio a borda termina, reparte e se espalha nele em fragmentos foscos
por frênico ser a suspiro fricativo, há o olhar
que se vai a ascender e se deflui, pisca oculares
conduzindo: janelas arredores ostentam horizontais
como o correr destes olhos, é verdade...
em fila duas pedras que descansam
dispersos alaridos de visões incessáveis
monumentas persianas em vigília seus retângulos,
como se quina é tudo e nos confundem ao seu ponto cardinal nos fundem pontando

Pois é, muito trabalho


Eduardo M.P. Félix