sexta-feira, 19 de setembro de 2014

rascunho de flores (depois haverá um poema mais desenvolvido sobre o assunto)

não sei melhor imagem dessa extenuação involuntária que são estas flores em amplidão
com vasos, jardins, delas cada qual há as possibilidades de furtá-las
decorrer as possibilidades de mim é o meu corpo
impossivelmente uma em sincronia à outra ao mesmo tempo
o instá-las colhê-las de instante todas
pois se não pode tocá-las simultâneas
me repouso em lassidão inconsciente ansiando nas horas de coisa alguma
no que não as posso toda a textura defronte horizontal
as formas transtornando refletidas das águas fixamente os olhos vão
eles só sem serem a ademais
tão pequeno sou sem poder fazer tudo que posso

primavera a premer-me de redor por mim

Eduardo M.P. Félix 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

minha clareira sentida

estou doente
porque se me a cindir o estar para distante
em que urbano monumento coincide
segundo o formato do seu caminho até mim singularmente
que eu não saiba quais percursos
eis o formar-se da minha doença

prescindidos muitos postes pendendo ao poente
quantos estas pernas apensas estiram-lhes sombras
Oi, sitiante longe a cantar cobrando nalgum canto
sob as pletoras serenas do Sol a cindir-se entre diáfanas
colorido áureo ele da minha inconsciência
que perambulo o outono que não há aqui
Algo nu palpita-me,
e pairando aplanar a rodopios
dessas mais úmidas floras distas para mim

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

visão de calçadas

consumir-se-ão das sombras às cores a consumação ao palatado chão para então
cair de algum modo pelo andar por enfileiradas e calçadas
a esparzir flores com as árvores da vereda queda

destra para as searas que aventam aos eixos de viaturas
tresvasado carmesim luziluzir
entre a persiana das copas
esplanadas das suas glaucas folhas soslaiando

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O futuro

    inconsciências se ostentando
    mas se eu não sei o que são...
Lhes tenho de manejar
algo a si que não sejam elas
   daí há felicidades neste tipo de as olhar
   O necessariamente a vida
   O tentar sentir que seja.

Eduardo M.P. Félix


(escrito ano passado, só que era um poema depressivo)

domingo, 3 de agosto de 2014

chove eu sinto configurando as gotas
em conjunção relevo contínuo para a pele caindo
pulula-se senso das texturas
a água que me faz senso de contorno sutilmente
da textura do ser, pois
sei-me diáfano estar corpo, assim

Eduardo M.P. Félix 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O arranjo destes vasos de planta,
glaucos e de cerâmica ornamental
contiguamente em quatro
- as dimensões deitadas -
de repente o ritmo visual acaba-se e
limitado, se imagina um quinto a ladeá-los
(como estrela da noite, queda em cristal)
lhes parca subitamente e pousasse
sem descer-se de alçar, pois se suplantasse
então sua palavra fosse sempre falar em demasia
então sem ritmo esta
então sem estar
o lado específico ou algum dos vasos

Eduardo M.P. Félix 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Xícara

a xícara redolente sobre papéis escritos
contidos como escalas espalmadas
três na mesa horizontal. Tríades de rascunho
cursivas montas completas alastram curvas enfileiradas
por pequenos movimentos a soslaio diante sombras
repletas das bordas brancas. Não leio
pelo fino fitar subindo ela se aclara
observo, acima do plano de madeira, a xícara
alheio contorno circular dali cortado de papéis
pelos lados do seu apoio

Eduardo M.P. Félix

sábado, 26 de julho de 2014

hoje, primaveril é o céu cristalino róseo
as chuvas danam mantos quedos contínuos pra os ombros em tons
Quedas hão relevos calmamente dentro em si
densa a água a cair à pele sem parar
a dimensiorem sensivelmente, vestem a textura dum estar-se e a tangem
rubras dores lhe tocando
que eu não sei como e por onde é que ela se inclina
Perto ou longe, aquelas gotas em formular-se sós
e dentre agora, as suas brisas lineares a aventarem
pelo asfalto molhado a tornear as cedendo e alçando irregulares

undando álgidas e vindo eu ando
a premer em mim as vestimentas têxteis e paisagens foscas
as que baças se desvelarão depois
O desvelar deste tempo também cobrirá a profundidade futura e quem sabe
o sol a descerrar estará brilhando
a esconder as coisas com as suas vistas de si em cor
e sem delinear-se-lhe nele círculo de astro
porque a sua luz se distende
como d'ouro sempre ao sol

Eduardo M.P. Félix

domingo, 13 de julho de 2014

Eu a ter felicidade em plenitude
esta extensa em luz esparsa
à parede esbarra e em descontínua
deixa-se andante em céu, empecilho dissonante
chofre então de cortes porque assim
há dores nela, ai esta que é meu corpo
e como tem almas
é então este à violência a constituir-lhe diluindo
amiúde, pois, tão-só anseio abandoná-lo
e a cama vai-se também a fluir-se evasivamente
a dele em que por ele eu nunca a tive

Eduardo M.P. Félix 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Luz, alicerce de ser imagens
e o ritmo dessas pilastras contíguas que a mim as vejo
No pátio do prédio em que se andam gente nas bancas
Vê-se alheadas as pilastras como fossem escadas horizontais
com que de meus olhos subo alinhados a um deitado alto deles
pela inclinação chã da paisagem plana
Desta arquitetura
ser o que há agora
aqui a baixo dos andares.

houvesse dela daquele descerrar do corpo o espaço
As quinas têm os seus rodeamentos sem lhes ser
como em todas as coisas
A pupila outrossim a ter tato este o move ao se mover
e o translada o que esse espaço está nos seus contornos
e porém que inda assim
eu atento a nada, pra depois desta paisagem de prédios
a persianas que me mostram
não se estar só
sim observando objetos
(que são nada da minha vida)
e é somente objetos que se me embalam
da janela norte em que eu vejo
com as precisões absolutas que tento
desta arquitetura

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 12 de junho de 2014

                   I
dia, uma gota penduleada
a mínima vaga se englobava
curvo manto simples
transluzia o rumo seu
porquanto cinde pender pois tilinta pousando
seus tremulados brilhos às pontas miúdas
desligar-se entanto de fluir-se, e depois
plácidos d'água raias a deitar esparsas
não muito. Cai
        
                  II
transudando a gota d'água descende  
pela superfície desse vértice que sou eu
que na verdade centro num círculo completo
este ser-lhe é só possível
porque desde o ver os outros sentidos
sabem no espaço depois das minhas costas e lados
e no entanto há tanto dele de eu não estar também


Eduardo M.P. Félix 

domingo, 1 de junho de 2014

Virá o amanhã
A lembrar-me eu não sabê-lo
Sem trabalhar
E não poder lidar-lhe assim
Soçobra o tédio então
Enquanto vagamente diminuta
Qual gota clara, a manhã
irá findar ao dia, embranquecidamente

Eduardo M.P. Félix

sábado, 31 de maio de 2014

pôr do sol na esplanada

O espaço ao que estrepitam a ladear ao meio
são ruas na esplanada para frente e atrás árvores
ululam alaridos ares em clarões às alvoradas
se mantêm os asfaltos alamedas na esplanada

este ocaso tênue, ligeiro outrossim
levanta sendas a aluir-lhe para cimas, a luz,
ela os pilares das imagens em suas vagas
as esparsa por feixes e as coisas rastros assim.
Há um prédio mantido. Através a se estirar-lhe dela,
por isso se parece instar leve lentamente
a desilusórios declives vermelhos diáfanos como alçando
seu bloco cinzento na longínqua praça

Estático, à vista; então sem tempos
embora lá se trabalhe.
No pôr do sol vão carros embaixo passando
dentro deles pessoas paradas
então não sei haver do derredor devir e sento
há sobreposições e há figurações parecidas entre essas horas que diferem
ao mesmo tempo, entre veículos e edifícios
dum ir e outro, e é o ângulo no que vêem os olhos
Corpo da distância derme sua as envolve tramadas.

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 27 de maio de 2014

borbrilha a bossa nova
durante as lâmpadas traquejam em frio
esmorece lã verde a pouco acalento 
a febre quase passa depois de sentir
a extensão deserta por assoalho
canta as quinas fora e adentro
eu não sei qual sensação eu na verdade sinto e não digo;

penso gélidas cerâmicas que não são. 

Eduardo M.P. Félix 
horizonte lido longe
a distância sem eu regular
pudesse sê-lo
estar lá onde o que vejo e inda vê-lo
ao tempo quanto, mesmo tempo
superpostos dois antros
está-lo e ditar-lhe a distância
que entre nós devemos
mas nada é que parece assim.

Eduardo M.P. Félix

sábado, 17 de maio de 2014

Rente céu,
aureolas aurinevadas nuvens, vagante
aos umbrais de gente andando
não sei que és-te, contudo
tampouco que a mim
há as gotículas a morrerem de si assim

lavadas as ânsias ensaiam enseadas
enchem turvas as coisas,
dum vácuo repentemente profundo,
que o delas

vestem-me sem me tratarem, tão chatas
há iminências que lhes passando dentro
calcam os átimos
nalgum carro onde algo sonora de outrora sem existência e cai

Talvez isso acontece a palavras indo
por rastros de lábios a eu desejar e finjo ou não falo.

Eduardo M.P. Félix

Na L2 Norte

Essa textura de vida que roça
e é o ar à volta
as coisas a estringir em mim no caminho
som de ocaso nos contornos dos passos
com os olhos espalma-se-as
pelo alheamento que atravessam,
fímbrias - linhas - em pontas, libadas
ao ondear leve, o que a formulação redor
o sentir minha fronte e sempre
aos limites undosa com elas indo...
   ...a alameda tão leve - e inconsciente - cansando...

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poema às vezes de vida a Brasília quando fico fatigado

Sinos de sons claros são clarins
silêncio na cidade em que resguardas motes
cá os sinos tresladam-lhe cantos a lados sem fins
rotas tresmalham seus fôlegos ao longo os cintilos no horizonte,
e conjuros se distam fulgurantes lidando luz assim
passa às linhas os teus olhos, alheadas encostas aos livros o abril
e farfalham, farfalham as pupilas com pálpebras
inda folhas nas ruas pululam
as folhas cansadas sem respaldar
eu sei o teu vento e as palavras
que rumas e as tuas são rarear
os sonhos das persianas musicam as sonharadas
                                                                                         lá lá lá lá
mas dentro o edifício me frangalham as vistas e os maios
do prédio da janela ecoam e fraquejam
frágeis estágios fronteiam fractais aos corações quais vinhais
mas tais fontes nos faltam fundos pros livros, e a lida

Voltemo-nos - não se fale -
mais caminhar por cá
mas perto, do meu peito, perto, há
- e é essa nuvem estrelejada dele até as confrarias
                                                           - que não aventem alvitres secretos -
há otimamente /onde clara repouses/ a imbrincarem-se áreas várias
um bar.

Eduardo M. P. Félix

terça-feira, 13 de maio de 2014

O som, à muda dor, carmim longa trescala
amiúde o céu
e lenta suplanta o halo de sol.
Nas flores curvas brinca arvoradas
ao pender paras plantas leves folhas

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Canto do quarto a estringir

transversal o eixo adentro a mim a flutuar distando fito
fímbria ela mingua o tronco o espéssa para foco
contínuo premer o lhe fundir sumir perpétuo,
em olhando um canto do quarto

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sermos pó quando morrermos é tão significativo
Agirmos sobre o disperso
como não fomos em vida
espalharmo-nos nas coisas
no que é seu doce espasmo
mútuo e tão lindo.

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Anna


Ela enxergava o céu: cerúlea madrugando conduzia
plácido lucilante
ou ciano mais plangente
no concerto com grandes luzes
 as guitarras bateram amainaram
 certo crepitar a chuva purpúrea esplendente
  - Enchentes a esses níveos tu cigarros enchias
suas glabras nuvens correntes escuras

.Gabriela no palco contente
.Mantém acordes como Amadeus
lhe faria florar os ares à volta as velozes suas firulas
 estatelaria Também os sons atonantes
 ... a imanar ... a imanar ...
brotos de espaço pelo corpo
poças nas gramas qual Pollock a tinta ondeando a pingar sobre...

.De repente vidrava da caixa cerveja no centro dela sendo 
abarrotara mas sorria alegremente
 claros apolíneos a ascender cultos sóis vindo;
mas...isso

.No espelho do banheiro público
de si lhe vagam os próprios reflexos, ou de casa - não.
.Como vomitava tecnicolor um Bonnard artista distante
ela deixava dinheiro ao longo dos meses
              e não se sabia!               
Ah, branco eterno sobre as volúveis cerâmicas derredor deles! 
negro fácil dos olhos que já se olharam na superfície!
    - Gabi, nunca serás minha!              
e um altar de esquecimento,
dentro, químico lhe afagava as horas!...

Confortava depois da glote, serenando estrelas! 
ouvindo tríades de Ninfas rindo
Eco,  dois nos cantos, nós
sós, com impropérios
ah, porque com'inda por amor sofreremos. 

Eduardo M.P. Félix 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

...Escada...

Eu olhando da cabeça a escada
é vários retângulos diversos menores ou maiores da aproximação
mas sem hierarquia ela toda,
em seu equilíbrio de vista

pelo descontínuo de quinas
o que a textura delas me angustia a pele

em dor nos conterem os seus degraus,
nenhuma hierarquia entre silenciosas;
   - eu ia a ascender
dadas as minhas mãos à violência de pontas que não dizia
(e tinha nisso a domínio essência do que é)
   - ela como, por visão, se movia pra mim
              eu subia-me.

Eduardo M.P. Félix
Tritongos tateiam tanto a treliça às varandas em tarde
ventam carquilhas de lençóis
tão suaves sonoros: lassos serenos à cama
que travessam laços de sonos somenos
pra onde espraiam róseas auroras aos travesseiros

A virtualidade das coisas,
os sentidos como malha translúcida
nossa em que eles se adormecem
pra ceder quaisquer percepções

Sobre mim arestas arredores dilatadas;
convexas sobre mim e voltear o sentir
E a pouca plácida algidez
indo-me a fender com as irresoluções dentro.

Eduardo M.P. Félix
Os feixes de luz, tão fronte ao ar alaranjado pouco
das lâmpadas no poste, vindos
do mais tônus da luz, assaz que eles
como a flor desabrochassem, diáfanos por reta cor

Mas deva sempre
Lembrar-se eles não serem flores
Nem parecerem-nas, na verdade,
Que for tentar então da mais doce.

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Lugar

Todas as coisas é tempo e é espaço
o humano é Arcádia
pra onde aos dois se separa
- ou não -

Não há só o pensar, às palavras,
há o feito de o corpo concreto
que o ritmo em suas abraça

Por estar pelo corpo,
o ritmo não é só tempo,
também é espaço e é lugar
ritmo, então logo da alma veloz íntimo

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 18 de abril de 2014

                    Cada palavra larga algum rumo
                    que se espalha na monta do objeto,
                    ele fica assim a se ligar às direções,
                    ladeado pra várias mas em harmonia
                    e se
                    As coisas tombadas
                    Fiéis o tempo estala
                    Seus perfis de insapiência
                    Para os fitos de se olhá-las,
                    palavras.

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ventilador
tal suma fresca e frágil
zuni-me espiralar brisas
círculo de ritmo lá
minutos em baixo dos cantos no quarto
A trincar as cerâmicas, devagar...
Alívio maquinal

Eduardo M.P. Félix

domingo, 13 de abril de 2014

Não se consegue ceder algo além de os meus pensamentos fixos
mas se eu não sei o que são fixos,
erro sobre quem sabe as truncagens num vindo o vazio
as substâncias dos meus gestos de sexo há uns vícios
amargura que dele desce flâmulas rubras dor tocando
e mais algo sem delinear os que têm às ânsias.   Evanesce
distante mas em mim, à vez à noite
como morros muito grandes como próximos
rosto ebúrneo grão, decrescem
somados por grãos das Eras
agora agulhas grãs das horas

Eduardo M.P. Félix

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O dono da loja de açaí pega o cigarro queimando calmo,
isso é material porque isso existe dum gesto.
Aqui todos fenômenos materiais
As ocorrências indo correntes materiais comigo.
O não haver contornos é material donde contudo
luziluzem-se paisagens os limites da nuvem
inda que, quem sabe, não devesse
Isso fica uma lateralidade bonita às coisas,
quando elas se escondem, em parte, atrás doutra que aparece.
A luz que não vemos matéria talvez preme na distância delas.

Ou alguns outros acontecimentos.

Eduardo M. P. Félix

um lustre pra sair do quarto

luzes! suas xícaras dispersas...
eu vos bebo e nada sinto,
então eu fico?
Está geologia estranha o andar por esta gente,
como textura houvesse por contê-lo.
Vozes que são roçando;
e muitas - para se atentar.
Mas há senti-las, e o que o seja...
Claras, de tanto escuro
que é burburejar
e num indefinido nós sabemos.

Eduardo M.P. Félix.
Ah, o céu, toldo miriare de sonos,
que são eixos de algo às vezes.
E a translação desta Terra, quando se nela deita e morre...

Carros círculos, anéis de quaisquer mantidas coisas que eu não vejo ao todo
Superorganismo das insones horas, e nada de dormir...

Thanatos, também girassóis;
e tresmalhamo-nos em nós crisântemos dos dois na vida.

Eduardo M.P. Félix


domingo, 6 de abril de 2014

esparze quanto era externo o inteiro campo
a meio manavam folhas onde se possuía consciência de algo
nalgum entendimento, que seja. Nos passeios sós.
Quer-se dar-se boas frases mas é muito breve
ei-las nonada de vagar.
Céus róseos crepitantes
Cinco dedos tentam regular vagarosamente as brisas frouxas
eles remotos deste pulso longe...


Eduardo M.P. Félix

domingo, 23 de março de 2014

!Prédios, desejo, saudade, e as suas águas-furtadas:

Siderais trismegistas onde estas gáveas
entre cidade, e dos jardins as alamedas bêbadas!
nelas que murmures minha face como madeirada, meu nome, nas que te flano ave,
minha última precisa vítrea água no mundo
aos cursos que tampamos sondando a sede do olhar
recíproco quanto crepuscula-nos, me fundiria
ah, à pureza d'água que tremida pulula
se pinga pinga níveas manequins, somenos saudades
do que eu nem fizera...

Eduardo M.P. Félix
e aparecia meu pai pra me anuviar de coisas perdidas
e que nem mais importavam
pra dentro
eu sentia qualquer remorso de não ser mais
quanto a tarde me ia
os sons de cigarros e dores dos cheiros distantes, e as cores reais.

Eduardo M.P. Félix
Tocar a vida é como se falar todas as palavras
da minha língua, Todas as palavras
e acariciar entre as orelhas do gato persa está como dizer
vogal desconhecida

Eduardo M.P. Félix

domingo, 2 de março de 2014

As pupilas são gotas, que se fecham ao cair
ah, o tempo de relaxar
ir-se dos olhos a quebrar formas circunjacentes
cede outras ao longo do relance
e no soslaio a borda termina, reparte e se espalha nele em fragmentos foscos
por frênico ser a suspiro fricativo, há o olhar
que se vai a ascender e se deflui, pisca oculares
conduzindo: janelas arredores ostentam horizontais
como o correr destes olhos, é verdade...
em fila duas pedras que descansam
dispersos alaridos de visões incessáveis
monumentas persianas em vigília seus retângulos,
como se quina é tudo e nos confundem ao seu ponto cardinal nos fundem pontando

Pois é, muito trabalho


Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

nuvens, seus destinos hás; eu encerrei-os das plumas,
mesmo nem delas contam essas carícias ternas das águas
as costuras nos cílios, embora colchas das camas, trançam asas urbanas férreas e eternas, do lá fora...
tem-se tido insônias donde constelada solitude longa em empíreo escuro, e ando
qual inenxergáveis sombras por esparsos chãos inconstantes dos trens
de cada vagão são finas lâminas coagulando às mãos os bastões de não cair
não me deixarei de mover para a coisa alguma, parece,
e minhas vidas e o suma para nada.

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Desfiguram-me, e é estar tantinho à fronteira do meu vazio
Tornam-me a escadaria da rodoviária, e os passos nos vãos descontínuos
Súbito são sonhos desse encontro;
eu fitava a aurora, corava os galhos das árvores afastadas,
A tua testa de rubra alegria a seria cerrando, se fosse...
E súbito, o baço vidro de um veículo se acercaria na chuva fugindo.
Vejo-me, recosto nele. Eu sonava lá o breu da avenida;              
a rota, verde-branco lusco das casas, a cidade ondeava
pelas rodas esborrachadas, arlequins em cuidados, nas ruas...
As sujeiras tanto belas ao mesmo tempo
A segurança tão ansiada daquelas pessoas...
As varandas estão rumas baixas de listras sempre,

Agacho; a bravosidade de carros dos homens suscitam os ruídos do oceano da enseada que não há.
Nalguma encosta da pista perto,
só penduram os cílios os seus barulhos de luzes...
Há saudades de libertá-los


Eduardo M.P. Félix

domingo, 2 de fevereiro de 2014

sininhos

Os sinos que pra baixo se alinham por frágil corda
do conjunto têm a amena e inapreensiva vista de pontilhos sobre plano
Esplendentes, também, sob a grade
em cuja malha e textura de teto a teto o corte do sol alisava
como estatelado pêndulo indo repousando o refletir na trama lucilante
E qual ela não atrás deles,
se fundiam a ângulo só.
Eram esquartejarem por si a si lateralidade
que perdia o ar todo por entre as suas distâncias
a luz contidamente claríssima, das cores alvejava descontinuidade
desembainhada, por linha que estava.
Solitária a totalidade nos arredores como chapada uma geometria
Pronta apenas não tresmalhada em voltas
no espaço de algum outro olhar.

Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

pontas de fel perfilando do ausente
em cima vácuo ígneo um fogo
pelos contornos de pontuar um local,
um deter no haver das coisas
e uma tentativa de disciplina de Poder
a lida sob os fios de as pernas irem correlacionando
a nos deterem racionalizar andar

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mas eu nem te tenho só o que escrevi
embora aches de ti em mim só esta imagem

há mil adorações além sofridas de erros

Quando, acidental, me antevisto teus gestos, tudo aponta pra se esvaziar na metamorfose dos ecos, oscilações nos contornos envolta, à linha reta e uníssona sem presentes; ao vácuo de sentido.

Eduardo M.P. Félix

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Repressão sexual a um arquétipo masculino

Há suspenses muitos em deixar em sonhos esses sonares antigos, antigos, se relativos a agora;
pra eu dizer não ser de guardar ressentimentos comigo mesmo.
                               Mas se não os faço, é por não saber se eu estou certo sobre o segredo do castigo.
                                                                                                          (mas ele deforma, como deve).


Por isso meu cinto invisível ondeia revelando
sombras vermelhas de respingos planos
- por bem sobre as coisas brancas -
apenas no isolamento de mim.

 disso a disso, como roupagem das histerias psicanalíticas,
Tenho cruzes simbólicas de faixa a cima da nítida saída sexualíssima.
Dissuadem se alinhar muros diluídos nas articulações dela,
por isso flexibilizam os seus fitos de estrada imaculada e extática
                                 sobre o ser de apontamentos e procuras falhas.
e a distensão da textura inflexível não articula nada sobre si e a sua esticada superfície
resiliência das coisas subjetivas


sobrancelhas, porém, ditas a levante em interdito,                                                                
prometem evaginações vigorosas a berrar
arco íris das lindas breves orquídeas;
curvilíneos sentidos alteando n'água intensa...

...porque vibram o acesso difícil a uma estrela logo próxima,
a felicitar em potência dum ciano pontilho assonante em premer...    ...tanto adentro...

físicos tremem devaneios realizados
e se não desprendem porém de não estarem telúricos;
conquanto pela inconsciência se funda razões as ações sem matéria...

pelas rugas arraigadas dessas que esticam dedos
não lhes tocar fundo   não me doo.             ...até substâncias de ânsias inda cerceiam em cintilo...



há uma angústia de patriarcalidades entorpecentes que não fugidias não morrem.

Eduardo M.P. Félix 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

19 anos (sobre a minha juventude e a de outros)

...a procurar experiências de vida - lassas gotículas de existência juntas que me adere -,
como realmente quem tenta não se assear (mais ou menos): não falsear levidades o ser lúbrico.
Pela casa, as lâminas de espelho se transfiguram-me a mônada, porém;   sabem a juventude minha...
Daí navalhas ou reflexos competem a verdade das barbearias
e violentam fases ou não negras: se é o contorno todo da face a ir-se... ou se não...

Ao menos a adolescência fulmina certos trabalhos chatos.

Eduardo M.P. Félix
Eu sei; em silêncio não respondo.
Quem me visse, facilmente me diria.

Mas são vistas baças à alvura, as paredes dos antigos meses fluidos.
Sempre que persistentes sopram, pútridos de humores são das menos claras minhas íris

A ângulos de luzes cheias, apeiam, então, graves pontas de poeiras leves
Pela encerada pletora, velas, doutras horas, de mim rumas às três dimensões do quarto, em estarem tênues ao transluzir interrompido, onde gravitam o todo o tempo do assoalho.

Acumulam-se livros. Assim estridulantes palavreariam. Além se apertam dentes, pelo ser rilhando, à calma derme, gestos.

Sou eu. Lotado de sorrisos de lembrar.
As mãos dedilham o trêmulo ardor do extremo vácuo em limiar.
Embora se pode desconstruir com esta areia vinda deles.

Daí pomares róseos me travessam, acima desse solo em costas refletidas nas janelas, espelham a distância pululante por cravos fúnebres.

Tendes pouco tempo nesta sede: que é melhor morrer com ela, enquanto.

É transparente o nosso corpo, tudo o ultrapassa...
Se houver idades boas, que não sei.

Eduardo M.P. Félix.