sexta-feira, 28 de junho de 2013

Narcisismo

Seja gostando seja odiando
Não existe o transbordar que não me adequa  
Rostos conhecidos, Rostos conhecidos
e que vos passam, vosotros sois eu
Não acenam, nem que baixinho

Desfiguramo-vos por movimento
a este não lugar metrô por nada
há barreira sem tampar: a nesga deste mundo é ele mesmo
As luzes estão indo na janela e há que chegam
resvalam à superfície linear do ser
informáticas e propagandísticas
- ...como és serena...          eu arbitro a luz sair que me foge demais pra soltar-se em fantasia e
e o acentuam só de passar imutáveis                                                                    dar-se real.
Há gente ao lado;                                                                          dar-se no vácuo pr'outra luz.
A dimensão, por isso, deve dilatar
mas é confortável este local
e a música introjeta muito, corrida                                  - ... como és sereno.... o som também foge assim.
de vez em outra.                                                                                               demais funda ao vácuo.
Mas há gente, e se precisa fitar-lhes.                                                                                        demais.
Eu ensejo um olho outro e viro...

é espelho.    espelho
São espelho
os transeuntes quaisquer do metrô
.eu careço.
Ausenta outra humanidade tanta                                                  
e há a antevisão do meu rosto
perfeito naquele, que não é outro
A minha face esgota a minha
A minha face vê-me, e o outro é realmente eu
Não acena.
Todos com espelhos em rosto
Me observam; eu sou o ponto de todos os ângulos
sou o tudo só de mim
isso toleravelmente não é nada
     
As pessoas são eu.

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 14 de junho de 2013

                                                      (...)
uma ironia tão gigantesca que até rio das minhas situações sem sadismo algum contra mim. mas... sabe-se lá, né? pode ser um gozo de prana flexível pelas minhas superfícies, que eu não consigo deter nem que pelo finíssimo e intransigente sarcasmo.

e pensar que os movimentos do futuro, quem sabe, sejam extremamente contra os de hoje. mas depende do futuro. algum futuro virá nos resgatar.

rará.
                                                      (...)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

esperança

  A poesia é tal subversiva que está a me criar uma esperança, despontamento de inflexão que não deveria. Com certeza não, porque é a subida vinda a um redemoinho abaixo, a ir-se-lhe dele sem apoio, mas ir-se maquinal em conjunções para atos no meu braço. Embora leve e tão frágil, mas limítrofe instantânea para cortar fenômenos e engendrar. Engendrá-los como numa dialética independente daquela mais fuzuê, e da qual a esperança se conduz fugidia, só com uma parte basta desta para criar essa vida própria de si.
   Após, desfalece, inclusive imprecisa a quaisquer disposições que nasça. Então seria a esperança vazio a essa outra realidade onde se fundira sua concepção, pois anda afora de suas leis, mas ainda nela, e por isso não pode ser dela, mas externa, alienígena como estrangeira, e assim existente, embora dela feita. É um nada porque desse jeito não pode ver-se ao derredor, tampouco detalhar-se mesmo. Daí a esperança é um vazio que me funila agora ao invisível. Nem é luz a mostrá-lo, senão indução pra este. E, então, fica entornada; e, então, morre, porque se nos adequa a ela o seu invisível. Outro redemoinho disso a instantes.

   Eu fujo de uma dialética, quebro-lhe para me transferir à alheia, ou ao potencial só da alheia, que nem é tempo; eu quebro movimento do tempo, vou atemporal; dele, a outro movimento do tempo, nem desse universo, mas logo de um imediatamente e futuro "esse universo". Eu transcendo.
                                        "Aqui em casa pousou uma esperança".
    Eu morro de medo das coisas finalizarem-se antes de eu escrevê-las.
                                        "O essencial é invisível para os olhos".

   Ah, Pandora, Pandora, Pandora: mas, por enquanto elas não morrem, e eu di-las-ia: nunca morrem enquanto redigidas porque até se viram universo. Ademais, em antecipação de perpetualidade, mais se aproximam de não parecerem o nada. Mais são nada em ponto de algo, e duma contenção eterna que não dá guisa do fluxo anterior, o fluxo do nada. Como nós temos o princípio do Nirvana, à diferença que morremos, sim. Nós, sim. A potencialização realmente é tudo e íntegra o mais possível nos ocultos e inexistências.  Eu não sei porquê, talvez seja humano, eu tenha um ímpeto para tangê-las. De se fechar as coisas, se as mostram ao máximo; é potencializar necessariamente: há o ensejo destro e a beleza da noite, por essa causa.
   Enquanto eu vivo posso enxergar o invisível ou inexistente em mediações do que lhes são adjuntos, e nas quais eu posso marcar vagamente; como estas palavras.
   A esperança seria influxo se, intrínseca, tivesse força. Não tem. Só dá-se.


Eduardo M.P. Félix.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Eu estava a tentar fazer uma onomatopeia do meu dedo batendo na mesa, porém não se parecem os sons nem um de perto com sons que a língua tange ao aparato bucal. como se poderá dar-lhes semelhanças a vogais ou consoantes? E daí se me entra a pensar a semelhança real entre o /a/ e o [a] de fato, que eu não se se dão-se igualmente como eu pensara (fonética e fonologia chata do semestre passado...). Parece aquele um tanto aberto como se não fosse barulho no seu preenchimento, estranhamente. Mas não é, claro, desse jeito à física sua, que nem de substâncias é o [a], e a seu aberto teria uns limites materiais, na própria sensação do som - que não é nada material - que não fechassem a superfície segura do que há dentro de si.
Viver parece tender muito ao não viver.
Se há a morte na distensão, é porque,
ao contemplá-la, eu a cinjo, natureza,
dos meus sentidos é que lhe cinjo de vida.
Para vós, realidades, eu não vos desagrado o empréstimo:
Sem que eu morrer quase meio em concessão
Não me haveria vida,
não me haveria esse desapontamento de matéria
Há daí eu buscar a sua ausência e o seu negativo.

sábado, 1 de junho de 2013

os encantos que um vazio anterior trouxera
"são só encantos" mentem-se a si mesmos
"também divisavam fibra orgânica com um outro"
trouxera  - outrora não vazio - do vazio orgânico?
então as organicidades podem esvaziar-se, enquanto são passado?
mas há as que se não passam, ao tempo dela
se não passam são por mesclarem-se
então não são vazias agora no passado, e
então
a de agora não veio qual as outras, do vazio.
Mas se mentiam, então não se deveria espantar ao descobrir-se a verdade
não se espantar por haver uma verdade, pelo menos
só que a mentira deles - diria, TAMBÉM deles (logo se verá) -
é a descrição da sensação que todos temos com isso
portanto
é coisa que se espanta e coisa pela qual se discorre porque não é inteiramente a definição de mentira
não há mentira se sente-se
mas seria um idiota o que achasse nela a Verdade integral: quimera tosca nossa
embora seja verdadeira
e é ainda mais isso confirmação de que a depreensão não incorre de um vazio (que jáááá fora passado)
mesmo que este puxe as coisas muito bem, geralmente
porque a mentira consegue a verdade inverdadeira.
mas não era disso que eu tratava, era de encantos
e tu mos trouxesses pós vazio, e tu foste pós vazio como tudo é                  (segundo a minha ambição,
daí                                                                                                                                 pelo menos)
O vazio, porque puxa, não pode ser vazio.
Era fenômeno Era orgânico E talvez fosse outrem.
E esse outrem também és contigo
daí
tragam-se na minha subjetividade, na minha ilusão, na minha mentira pessoal.
Como a realidade inteira é virtual, que não a faz menos realidade.
Mas eu terei que resolver isso daqui a pouco.                                    (serão essas coisas desveladoras da
                                                                                                                  virtualidade?) mas esta não é
                                                                                                                      errônea, é muito é bela. Todo                                        
                                                                                                                   ser a adora, só nela
                                                                                                                     se pode o ser.
Eduardo M.P. Félix
 olha, lendo agora eu não entendi esse poema, só um pouco, acho que só tenho uma ideia do que eu quis dizer.