quinta-feira, 29 de março de 2012

 Eu sei pra quê tanto cuidado para com as religiões. As religiões não salvam; a arte, sim.  E tudo que se quer é prender-nos. A arte liberta, deixa-nos avistar todos os ângulos de qualquer coisa. 

terça-feira, 27 de março de 2012

  Eu me tento ler como se não me fosse, e que viesse a analisar palavras desconhecidas. Só que a atuação interna é mais difícil, e assim é que eu não consigo fazer tal eu quero: acabar sendo leitor impassível de mim. Eu não conseguiria ser totalmente outrem na minha personalidade. É cada qual una, de modo que pouco se imita ou previne-se de outras; se eu pudesse entrever algumas, quem sabe as até parecesse. Eu só lhes sei dos modos, que podem bem ser falsos. Nenhum destes são totalmente condizentes com suas internações; em verdade, mais até porque eles absorvem outros, e podem imitá-los. Como as personalidades assim não  fazem, é concebida logo impossibilidade num trejeito se aflorar, em todos seus pormenores, dela. Não, não somos nós mesmos inteiramente. Primeiro, por copiarmos um tanto; segundo, por afeiçoarmos poucamente à nossa toda. Se isso é ruim, não saberia dizer; há intolerância até das almas, e uma não aceitaria as outras se não houvesse fingimento, por lhe serem demais contrárias; atuar é bom a ocultar-se e não subjugar-se a denigrimentos. Pelos trejeitos falsos mesmo já há dessas; talvez não fosse bom piorar. Aí a arte também se compromete, evidencia-se; mas muita gente não vê utilidade nela. Deixe assim; vivemos bem sem originalidades de trejeitos sinceros.
   
        Eduardo M.P. Félix

domingo, 18 de março de 2012

                                                 Texto Família




    Esbarravam-na, espancavam-na, e era xingamento ser chamada com o seu nome. Engraçado que era regime de escravidão. E quem estava aí? Fazia errado em ser escrava. Era vergonhoso, aos outros, que assim escolhesse, e a família estava acima da humanidade.
 


    A própria humanidade do ser não pode suportá-la, não. É bem precioso demais a família, pra que se fuja dela. A família que importa. Nada vai além dela. A vida não vai; deixe que morram,  a família ainda se sustenta como pilares da sociedade. A sociedade aflige todos pisando num subterrâneo onde ficam os escravizados, mas foda-se. A família continua. O átomo dessa civilização, ela é importante.
   Salvem a família! Não salvem outra coisa mais. É dela que se aprende esse valor sublime.
   Qualquer coisa que não é dele quer derrubar a família. Acabem com os outros que não concordam com a família, como se a odiassem. A família há de sobreviver! Amem a família. Grite a favor da família.
   É uma merda esse pessoal que nasce sem respeitar a família; são maus porque não tentam se curar do nosso ódio por eles. Já que o odiamos, é porque eles não gostam da família. É lógico e, se eles parassem com essa aberração de não gostar como a gente gosta, a família estaria melhor. Porque por eles que não há mais ótimas famílias, mas protejam-nas, já o disse. O valor é mui grande pela família, e assim deve ser a trucidar os que não acham como nós.
    O valor é bom. Não sei como  os explorados pela família odeiam a família; ora, deve-se adorar a família. Protejam a família. Sem família não se terá a moral, sem a família os explorados vão dominar o mundo, toda a face da Terra e o universo; vai ser caos total sem a família.
 
           Não se deixe compadecer pelos do subterrâneo; vem conosco e proteja logo a família. Não te obrigo, as consequências serão tão suas, somente.
                           Mas eu respeito os explorados. Eles que não nos respeitam: odeiam a família sem motivo e vêm agredi-la. Malditos.
 
                                                     Acabe com os do subterrâneo
                                                     Faça, pela sua família.


     Eduardo M.P. Félix
    Direi a problemática do século XXI. Não é bom o nosso tempo. A problemática dele é... Problemática do século XXI? Todos tiveram a sua e vens me dizer a problemática do século XXI? Ora, meu bem, nem ainda se lhe começa, e já te achas redigindo estas coisas! Mas, há problemática, que eu vou fazer? Ah! Rá! Tu não vês bem. Que autoridade possuis a falar tanto? Se viste tão pouco, ainda? E se for a que não escreves? E se nos vier outra? Duvido que assim seja, porque... Duvidas porque não tens o fim desta época! Há possibilidades que a problemática, essencialmente, seja nova, ao se finalizar o século; nunca a saberás agora, ele é jovem e entornará tempo demais, ainda. Talvez tenha razão; porém, e se eu escrever certo? E se eu adivinhar justamente a coisa toda? Ora, se tal ocorrer, foste, mesmo assim, negligente ao publicar, que não teria certeza. De qualquer modo, o tempo não se prevê ou diz-se com firmeza. Erram todos ao afirmarem contrariamente e dignarem-se a si mesmos de adivinhos corretos. Mentem estes. As mentiras muita vez sucedem; todavia, mentem. Ou precipitam-se, é o que fazes nesta hora. Não escreva, digo-te. Espera o século  todo, ou te zombarão pelo erro. Está bem, não o faço. Mas, se eu pontuo o que, de fato, observar-se-á como problemática, mato-te, e o século também o fará. Se não se queixa, nada acontece. A problemática talvez será a que ditaria, logo porque não a escrevi.

       Eduardo M.P. Félix

sábado, 17 de março de 2012

           Arte (literária)
             
   Mudo o estilo abruptamente
   É para não me encher o saco
   Do outro
   Eu mudo
   Mudo
 
   Lanço palavra

   Muda
   Em forma
   Em fôrma
   De um mundo
   Mudo
   Mudo
   O mudo
   Mudo
   Mudo
   O mundo


               (poesia editada em 15/01/2012)

         Eduardo M.P. Félix
    E a agora, meu caro, a ponderação que fizeste " a personagem devia se contornar desta figuração que lhe não faz bem" há momentos já bem distantes, concretiza-se à tua espreita. Fica feliz; vai, dispara pelos gramados a evacuar por de trás matéria que te ventaneie as ideias! Atira por eles o grito de que não sabes o resultado; contudo, emudece. A indiferença dissipar-se-á a pouco. Aí saberás qual a poesia que te deve àquele instante final da história. Muito forçoso. Emudece, agora. Berrarás aos cantos livres planos logo. Será qual denotação que for.
   
     Mas a história das duas te acabam
     Termina-as. Escreve.
     É, de fato, o cabo de uma Era.
    

              Se eu berro


              A folha contém meu som.


    Eduardo M.P. Félix