domingo, 28 de agosto de 2016

perfume

janela de seda seda
de janela
pôr trás

coisas para coisa
co'elas são no-lo
dalgos tão ir tando
há hora às portas

tal o por que de lhe que será
somam-se sós
coisa dele isso

varais pelas
e meu pequeno
janela de varais

eu
lá cima, ah
passo passo um
lado à parede

Eduardo M.P. Félix

domingo, 6 de março de 2016

estar estou parado:
é a se perder dos lados nonde o
destro volteio vem como é sem se mover
cerúleo ele que se ter sentido pela curva a
estar sempre aqui de novo sem tê-la ido
só a reta eu vejo-a
curva quanto coisa alguma

eu
indo por onde sentir nada
e indo por onde sentir tanto
ao tempo do acaso
lhes faceiam se o meu corpo
pelo qual parece são
que cadeiras quebram com a mão posta

ao tempo da boa coincidência
da rua, ciano beco
há o céu plainado
e os corredores
do meu prédio pelos quartos
entre o sol e o vão para
que se dê sombra

prateleira do livro acercado
último, pelo ar dos móveis, acontecem
do fundo à altura na beira da estante
saída que não solta
a mim ando o lado eu deles de mim
será endireitando tornam através de qual onde
que me encosto

se sê este e fronteia
de conforme sentar só perto
será isto vaga, pro gesto, é na dele mesma
quase fundo à vista da janela
ou mais cá; dias sem
botar gesto acima o colocar caindo
como ele não pôr.

Eduardo M.P. Félix

sábado, 18 de julho de 2015

do sol as sombras pairam

pelas tuas costas
meio à janela ciana
o seu rosto segue
a vinda contornada
isso sustentando-te  

pássaro plaina em
depois outro mais outros
dentre os prédios
rastreando ultrapassarem
o céu
de meia tarde e dois
ao que ao mais

pessoas
tetos
e os ares entre
de meia tarde
                       e
                  dois
as pessoas e os tetos
se se lhes alheie 

percorro pelos ônibus
para com depois destro
novas lojas de que onde
estudante não trabalho eu
enfeites em vendas para
casa – você tem uma beleza

diferente; alheia  – mas
solto os cômodos só que
dela além se se mos acolhe
paredes tantas vêm que
estas me andadas juntas
juntadas com que eu as vou
andando lhe para cada o

   além                                                  
   rumos que ladeiam as gramas
   a brisa coberta por certas pilastras abertas
   de mais          
   como quando nós caminhávamos


Eduardo M.P. Félix

terça-feira, 7 de julho de 2015

pássaros 1, exercício

mesmos lindos ritmos, 
sem palavras 
para se adequar 
aos lindos ritmos

Os pássaros passam,
dentro abstração riscada a
sem issumidos sob suas alturas
aventa relvas da cidade com a que
ao logo pelos rastros folgam
lhos dissolvendo aos poucos muito

Passam os pássaros
na abstração por traços que
despontadobra à vez à frente com as janelas,
por os sob os rastros folgam a os poucos lhes se indo
se me lhos dissolve logo vem somena lentania
através ao longo dos seus voos rastreando
os pássaros e que em os

Eduardo M.P. Félix 
transparentes
O espaço recolhe
amostrando
O tempo recolhe
levando
daí tiramos
o poema
é tempo e espaço
sutilmente

Eduardo M.P. Félix

sexta-feira, 3 de julho de 2015

isto

somente paira a linha contornada
indo onde ela prevalece
essas minúcias de contornos
que acarinham no apoucar-me

quero-te carinhos, pois
não cante, ande
devagar

Eduardo M.P. Félix

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Agora é esta atonalidade o que lhe é
eu fico a ouvi-la amiúde
há seriedade muita a este meu gesto
e se a ensaiá-lo, mas
eis os móveis a eu ver semelham-se a mim
alça e não se eleva
soltar com eles me assimilar chega
se estreita a vir a arrolar espalmando
a relação deles percorre o lugar à fronteira dum comum


    Neste quarto:
Esta mesa, neste banco,
não reflete o resto
mas tantos objetos
podiam lhe estar pelo apoio
sombreando-o

Ao meio, por não se acabarem
Através da luz
   eles se espargem
e para a quina das paredes

sou destro meio aos sombreados
eu as sinto tanto
da luminária acerca à mesa
que vai por bordas correndo as bordas
que mais a muito interno há essas transparências
de coisas na palavra
por cima de transparências

Eduardo M.P. Félix